Diálogos do Sofá

Paola: Acabei de fazer um teste com três gerações de imagem: 1 – paola live; 2 – paola projetada e fredera live;  3 – paola projetada dentro de fredera projetado e bruno live;

Não continuei mais pois percebi que:

1 – não vale a pena continuar os testes sem ter uma condição de luz uniforme sobre o sofá. tinha um lado mais claro que o outro, o lance tem que estar equilibrado para fazer muitas e muitas gerações. E 2 minutos é o suficiente pra um lab, não precisa mais que isso.

2 – lembrei de você falando sobre a luz azul do projetor ser ruim. E o que aconteceu neste teste? A cada nova projeção ia azulando mais e mais. Não sei se é a lâmpada do projetor… Se é a temperatura de cor da luz na imagem projetada… temos que detectar de onde vem o azul e ver como vamos resolver (precisamos de um fotógrafo conosco nestes testes). Incluir um filtro na programacao que a cada projeção tira este coeficiente azul?

3 – É bom ter objetos para as pessoas manipularem. Livros, almofadas, uma jarra com água… ontem conversamos sobre o que sofá evoca nas pessoas e tem muito esse lance de estar casa, de ser de casa, o lugar da familia, colo, carinho, aconchego. pensei em fazer um sofazão branco e tudo em volta branco. Branco sobre branco.

Caito: Vamos lá:

1 – Acho que esse é o ponto central do estudo por agora, porque a parte teórica e seus desdobramentos sobre a memória e tal, já está muito bem encaminhada. O lance agora é tecnicamente resolver esta questão real das múltiplas projeções e gravações para que esteticamente o sofá também nos emocione tanto quanto as reflexões que fazemos sobre ele. Essa parte é tudo que não sabemos tanto, então no começo vai parecer esquisito e temos que testar e estudar isso pra chegar no resultado que nos satisfaça. Concordo que dois minutos é suficiente para um lab. E podemos fazer dias de labs com equipamentos distintos como você sugeriu.  E também que temos que começar a definir padrões mínimos para o estudo. Ambiente com luminosidade controlada, projetor e camera adequados, sofá na cor adequada e isso teremos que definir e realizar. O que é mais adequado? Acho que a primeira variável que podemos eliminar é a do ambiente, escolhendo um local para testes onde podemos mexer na luminosidade, com paredes brancas e espaço para o sofá e os equipamentos de projeção e gravação. Outra vertente será a de conseguir apoio para termos a disposição equipamentos de projeção e gravação diferentes. Será que aqueles seus parceiros de projeção, aquela firma que você usa quando vai projetar em teatros não pode nos ajudar? Seria legar podermos testar, sem comprar, projetores de marca, lente, lâmpada e luminosidade distintos. O mesmo com a camera. Vou tentar ver isso por aqui também.

2- Concordo total na presença de um fotógrafo conosco. Acho que já podemos sondar a galera e apresentar o projeto e pontos de estudo. Sobre o azul nas projeções, o que mais me incomodava era a diferença que o tom provocava na percepção da realidade. O azul sempre “entregava” que era uma projeção e talvez a soma, da soma, da soma desse azul pode ser um problema. Mas não sei dizer se era só a temperatura de cor do projetor, ou se toda a projeção é assim, ou resultado da luz em determinado anteparo, ou porque os ambientes escuros limitam nossa percepção de cor, sei lá, será que a projeção poderia passar por algum filtro fisico? Porque o cinama projeta com fidelidade total? Porque é luz que atravessa a película? Isso não pode ser de certa forma copiado? Será que há algum filtro físico para isso? O cinema digital da indústria consegue projetar com alta qualidade, mas são projetores muito muito caros? São as questões que temos na frente. Acho que a sensação é a de vermos uma tela de LED, com cores brilhantes e alto contraste, ao lado de uma imagem projetada, com aquele projetor de 3000 ansi lumen,  azulada e sem definição. São dispositivos diferentes e vão dar resutados diferentes, mas como caminhar de um para o outro. Será que não há equipamentos/métodos/filtros para alcançarmos a qualidade de imagem de uma TV de LED? Devemos investigar os projetores. Qual projetor nos dárá mais fidelidade? E em relação a camera? Qual a camera nos dará mais fidelidade de gravação? E porque a soma das imagens, (gravação live + projeção + gravação da projeção + projeção da gravação da projeção + …) vai gerando esse “ruído” visual?  Acho a idéia de incluir um filtro na programação bem interessante. Vale a pena investir. Talvez dentro daquela idéia de contribuição para a sociedade :). E é aquilo, estamos trabalhando com uma espiral, se há um coeficiente de erro na primeira geração de imagem, esse coeficiente de erro irá aumentar a cada nova volta da espiral, resultando talvez numa bolo sem definição no final. Se conseguimos diminuir esse coeficiente a quase zero na primeira gravação, na primeira projeção e na primeira gravação da projeção, então teremos mais tempo de vida util das imgens. Mais o sofá do dia anterior perdurará.
3- Acho muito bom isso de termos objetos no sofá a disposição! Poderíamos escolher alguns e começar a testar a sua “eterna” presença ao longo dos dias, podem gerar coisas interessantes. Imagine que ninguém visite o sofá, mas há, como você disse uma jarra de água lá. Esta jarra ficará no mesmo lugar, sendo gravada e sendo projetada sobre si mesma. Quase como se estivesse lutando para permanecer no video, sofrendo projeções de si mesma todos os dias e somando todas as suas jarras anteriores a cada nova gravação, quase como seu gato na janela. Se alguem mudá-la de lugar, ela se multiplicará, deixando uma jarra antiga que vai sumindo enquanto a nova jarra se fixa na imagem em outro lugar. Estes objetos inclusive vão ajudar a percepção do tempo da obra, mesmo que não haja ninguém projetado no momento da visita. Sobre o branco, gosto muito da idéia! Tudo branco. Acho que isso vai facilitar a projeção e a percepção da projeção, até porque  a cor do sofá sendo neutra vai eliminar sua influência na temperatuda de cor da imagem projetada e gravada. Acho um bom começo.
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Diálogos sobre o Sofá

Paola: por definição, o sofá é um móvel que deve acomodar mais de uma pessoa. desta forma, a ocupação deste espaço que oferecemos deverá sempre levar em consideração a interação com os outros visitantes da instalação, e não apenas os antecessores, mas sobretudo a potencial interação c/ os posteriores. o vistante estará sempre num lugar entre o arquivo passado e os arquivos futuros.

Caito: Eh legal isso, porque as pessoas quando vao se sentar num sofa ja ocupado, devem levar em consideracao aqueles que ja estao sentados. No caso, o lugar pode estar sendo ocupado por uma projecao de uma pessoa, o que implica em outras interacoes. Duas pessoas podem ocupar o mesmo espaco desde que em tempos diferentes.

Conversações sobre o sofá do dia anterior


Caito Mainier <caitomainier@gmail.com> 18 de dezembro de 2011 11:42
Para: paoleb Barreto <paoleb@gmail.com>
pensei que tem também o viés dos desencontros entre as pessoas e dos encontros entre as projeções.

– uma pessoa vai hoje as 8h. E uma amiga dessa pessoa, por acaso, vai em algum dia seguinte próximo, mas também as 8h. Então essa pessoa amiga vai levar um susto, achar engraçado, estranho, ver projetado uma pessoa conhecida dela, que foi naquele mesmo horário, há alguns dias atrás. ou no dia anterior, pra ficar bem coincidente. Essa pessoa que encontrou a projeção da amiga, poderá pensar que se atrasou 1 dia para aquele possivel encontro; ou pensará que a outra pessoa é que chegou um dia adiantada; ou ainda pensar que realmente, as duas se desencontraram; ou ainda, que na verdade ela encontrou a projeção da pessoa, mas não a pessoa, ou a pessoa dentro da sua projeçao. Encontrar a projeção de alguém é um encontro?

– levando isso prum radicalismo mórbido, mas que pode acontecer, é que a pessoa projetada pode nem estar mais viva. Por ser ainda, pode acontecer, que no final da temporada de exposição, alguém possa existir só naquele delay de dias anteriores, pois aqui já foi assim como no sofá, em algum momento aquela pessoa vai desaparecer.

– aplicação técnica. Será que uma mesma imagem projetada e recapturada e reprojetada mil vezes desaparece totalmente, ou deixa no sinal algum rastro de sua passagem? Tecnicamente, pixel a pixel, a informação daquela pessoa projetada e gravada e reprojetada e regravada e rereprojetada infinitamente, em algum momento, desaparecerá completamente? Mas isso vai acontecer por uma sobreposição dos pixels do sofá, gravados exaustivamente? Mas então onde se dá a perda? no tecido? na lente? na projeção? no ar? no tempo? nas regravações? nas reprojeções?

– outra interação que pode surgir é a daquele visitante que entende o mecanismo e começa a querer se encontrar com ele mesmo no dia seguinte. Então este visitante, com tempo livre naquele horário, oou que faça sempre aquele trajeto comece a se encontrar propositalmente consigo mesmo todos os dias, indo visitar a obra sempre naquele horário. se fizermos um mecanismo preciso, vai ficar bem interessante. E talvez até podemos de alguma maneira favorecer isso, expondo a obra num lugar tipo centro da cidade, aquele lugar muita gente passa sempre no mesmo horário, num mesmo trajeto, muita gente de rotina) – Vou encontrar comigo ontem as 8 horas. ou, sentado no sofá dizer, vou mandar uma mensagem pra mim amanhã. e por aí vai.

– Tem mais essa discussão: e o delay de 24 horas existe? um dia é extamente um dia depois do outro? 8 horas de hoje é 8 horas de amanhã, realmente?

beijo

caito