Tá tudo bem no Parque das Ruínas

Tá tudo bem #1, ainda com o banco de dados Os Inocentes, reabre para visitação no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, como parte do circuito arte.mov. Em montagens futuras a intenção é produzir bancos de imagens relacionados aos contextos específicos do espaço de exposição, mas aqui o prazo urge! Segue o serviço.

4a. feira dia 29/02 – Abertura – de 19h às 22h

5a 01/03 e 6a. 02/03 de 10h as 22h

sábado de 10h às 16h

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Pós uma coisa é pré outra

Festival de Cultura Digital foi incrível, mas como disse o Brunov, tinha que durar mais!

Lamento não ter tido a presença de espírito de agitar a ida da Caixa Preta para o pilotis do MAM… nós a desmontamos no Glauce Rocha no mesmo dia em que o Festival começou, teria sido lindo e mui oportuno colocá-la lá…

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Trocando impressões com alguns amigos que estavam no MAM, ao descrever o projeto ouvi dois comentários ótimos que reproduzo aqui, de cabeça, com minha traiçoeira memória, que lembra como quer, do que quer:

Fernanda: Interessante pensar em uma imagem que se furta ao olhar. Neste mundo de visibilidades frequentemente tão expostas é oportuna e intrigante esta proposta.

Lucas: Curioso que normalmente o trabalho com sensores estimula o espectador a ser um interator, e procurar o sensor. Neste caso a obra se dá na não-relação com o sensor.

Mãos à obra agora para editar a documentação deste primeira experiência, visando novas e aperfeiçoadas montagens da Caixa. Na paralela corre a conceituação da proposta do Sofá.

Ecos daquela caixa, por Cristiana Grumbach

A imagem que reage a minha presença, que me devolve meu olhar, que me faz voraz do que me é interdito – justo eu que sempre fui tão invisível, justo eu que já não olho de tanto ver. E é a presença desse meu corpo, justo e preciso, que não me deixa ver tudo. Preciso esconder meu corpo para tentar. Aliás, “tudo”? De onde me veio a idéia de que tudo está à mostra e pode ser visto? E se fosse, ainda assim eu saberia?

Reações 27/11

“Qu’est-ce que se passe? C’est chiant…”

“Tem que dar um jeito de passar sem o sistema te detectar.”

“O que é maneiro é que parece de verdade mesmo, a primeira vez que eu entrei achei que as pessoas tavam ali olhando pra mim!”

“Legal, interessante, ainda fazem assim, pra você!”

“Entra lá, tá com medo?”

“Não entendi não mas tá tudo bem!”

“Bem legal! Surpreendente!”

“É que nem esses sistemas de banco.”

“Irado.”

“Genial, genial, olha eu já vi coisinhas na minha vida mas essa…. hahaha!”

“Imagina uma Caixa dessa dentro de um shopping, a loucura que não ia ser?”

“Vira tipo um twist, é quase isso.”

“É muita sacanagem isso, eu entrei toda disfarçada!”

“Quero ver de novo!”

“Es como el panopticon de Michel Foucault.”

“Eu tava lá, aí ele estragou tudo, tava rolando, ele entrou e eles morreram!”

Reações 26/11

“Ué, demora um pouco entre um vídeo e outro…”

“Tecnologia a favor da arte”

“Parece aquela coisa da física quântica, que as moléculas se comportam diferente se tiver alguém olhando…”

“A gente recebe um certificado?”

“Caraca maluco, ele reage quando ele te vê mesmo? Como é que pode? Olha lá?”

“Tudo bem que tem um sensor, mas como ele sabe?”

“Ai, agora que eu entendi!”

“Constrangedor”

“Você tem que ser ninguém, se você for alguém a imagem não se revela.”

“Ai que ódio!”

“Tem que explicar melhor como o fisico interfere mais claramente.”

“É muito maneiro isso aí!”

“Aí, é a melhor instalação que eu já vi na vida, sem sacanagem.”

“Oi! Oi! Tá funcionando? É assim mesmo?”

“Amei, amei, muito sagaz!”

“Mas é uma interação que me exclui! Eu quero uma interação que me inclua. Lembra aquele trabalho da Rosemary Lee? Sabe?”

Fui atrás do trabalho da Rosemary Lee, e é mesmo incrível. Se aqui, na Caixa Preta, a imagem se nega diante da presença do observador, em Remote Dancing é a presença do observador o que faz a obra “tocar”. Dois lados de uma mesma moeda.


Merci Cesar Augusto!